Os sensíveis sofrem mais, mas amam mais e sonham mais.



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

a thousand years

http://youtu.be/rtOvBOTyX00


Heart beats fast
Colors and promises
How to be brave
How can I love when I'm afraid to fall
But watching you stand alone
All of my doubt suddenly goes away somehow

One step closer

I have died every day waiting for you
Darling don't be afraid
I have loved you for a thousand years
I'll love you for a thousand more

Time stands still
Beauty in all she is
I will be brave
I will not let anything take away
What's standing in front of me
Every breath
Every hour has come to this

One step closer

I have died every day waiting for you
Darling don't be afraid
I have loved you for a thousand years
I'll love you for a thousand more

And all along I believed I would find you
Time has brought your heart to me
I have loved you for a thousand years
I'll love you for a thousand more

One step closer
One step closer

I have died every day waiting for you
Darling don't be afraid I have loved you
For a thousand years
I'll love you for a thousand more

And all along I believed I would find you
Time has brought your heart to me
I have loved you for a thousand years
I'll love you for a thousand more

sábado, 19 de janeiro de 2013

Como está seu barco?


Ele vivia numa ilha paradisíaca. Linda praia, muito sol, água de coco, água natural vinda das rochas, peixes ornamentais....

Mas havia um lado obscuro da ilha, tenebroso, úmido e frio, sem sol, havia um vulcão que entrava em erupção sempre sem avisar. Assustador.

Sempre que podia, evitava andar por lá. Mas não podia. Tinha que passar por lá frequentemente para chegar às rochas e beber da água.
E cada vez que ia era um sofrimento... sustos, arranhões, ataques e ferimentos... Voltava acabado...
Então descansava na parte boa da ilha, com sol, vendo o mar cristalino se recuperava.

Certa vez voltou do lado negro tão arrasado que decidiu deixar aquela ilha, apesar de linda, improvisando uma jangada.
E o fez com pressa levando consigo poucos pertences e algum material que usaria para robustecer seu flutuante. E lá se foi mar adentro.

Ele olhava para trás contemplando aquela ilha, um paraíso de bela, e entre lágrimas, parava de remar pensando em retornar, afinal, o que o aguardava naquela imensidão de águas? Mas desviando o olhar para a lateral da ilha, aquela cena assustadora, obscura logo o fazia voltar para a frente seguindo seu mar.

Águas calmas, o som do vulcão ia ficando pra trás, apenas e às vezes, alguma onda mais forte batia em sua jangada, que agora estava virando num barco, transformado por ele que passou a prestar mais atenção nas coisas à sua volta.

Logo surgiram golfinhos, deslumbrantes, saltavam aos olhos, brilhavam e faziam piruetas incríveis. Seu barco começou a segui-los... Viu sereias passando ao lado e com canto hipnotizante o faziam flutuar nos pensamentos.

Mas, com um chacoalhão na cabeça, logo retomou sua bússola e seu caminho, e tratou de não se distrair mais com essas belezas e novidades que passavam nesse alto mar.

Mais adiante e muito mais rápido do que pensou, surgiram outras ilhas, das mais diversas. Uma mais bela e singular que a outra. Parecia que se aproximavam dele, ou era ele que se aproximava delas, o mar tem dessas coisas, com o vai-e-vem das águas, não se sabe quem está se movimentando.

Mas ele optou por olhar mais para seu barco, fortalece-lo, tapar alguns buracos, pregar algumas madeiras reforçando-o contra algumas ondas fortes, até uma vela havia conseguido improvisar com uma rede de dormir que trazia consigo.

Ilha mesmo, só se pudesse deixar este barco preservado em um lugar seguro, para usar novamente se necessário.

sábado, 12 de janeiro de 2013

hipoglicemia


O alarme já soara 5 vezes...
Ela, que tem que estar bem,
poderosa,
pronta para o trabalho,
linda e maravilhosa,
inveja para as amigas e suspiro para os homens,
acorda no ultimo toque do alarme
levanta, se alonga, vai pro banheiro
leva água ao rosto, escova os dentes, enquanto se olha no espelho..

se maqueia...
veste uma roupa, duas, três,
ate finalmente decidir o que vai usar
pega o celular, fones de ouvido,
e quando olha no relógio toma um susto
pega a bolsa, sempre pronta para qualquer emergência,
sai correndo atrasada,
passa na frente de todo mundo e fica na ponta da plataforma esperando o trem
que por sorte já está chegando...
Uma sensação estranha a envolve
e a faz girar ali mesmo na última faixa do piso
nessa hora ela lembra de seu médico,
a última palavra dele: "hipoglicemia"
Caiu!




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Duas latas de tinta


Na saída ao lado da porta, duas latas de tinta.
Compradas há alguns dias aguardavam ali, serem abertas. Em vão.
Não haveria mais paredes, não havia mais um lar.
As cores ali escolhidas outrora,
ficariam lacradas e com elas
as lembranças dos momentos na loja
quando foram escolhidas
e as paredes imaginadas vestidas por elas,
cores que eram a nossa cara.
O que mudou tanto em tão pouco tempo?
Por que estas cores perderam o brilho?
Uma coloriria meu canto,
A outra o resto do apartamento.
Agora nem canto, nem sala, nem quartos...
Apenas duas latas ao lado da porta de saída
meio que me olhando uma última vez,
jamais realizarão os sonhos
para os quais foram adquiridos...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Deus, um banco e eu


Ontem, pela primeira vez este ano, pus os pés em uma igreja. Não estava preocupado se havia santos nas paredes, desenhos de pombas e nuvens atrás do altar, cortinas ou a rosa de lutero. Procurava apenas um pouco de silêncio, e um banco para conversar com Deus. Logo que entrei numa igreja, vi que se tratava de um lugar antigo, tradicional e ao mesmo tempo moderno. Na entrada pude observar na coluna do pórtico, um aparelho que, ao detectar a presença das mãos, automaticamente borrifava água sagrada. Uns passos mais e me deparei com um equipamento do tamanho de uma mesa, cheia de velas eletrônicas que acendiam por um período ao colocar algumas moedas. Certamente não haveria mais risco de incêndio ali.
Entrei e podia escolher o banco que quisesse, havia de sobra. Mas vi ao fundo, do lado direito da nave, uma sala menor com bancos mais confortáveis e apoios para os joelhos, chamados de genuflexórios. Era o que eu precisava. Não me lembro de, na minha vida, ter me ajoelhado, se não algumas vezes no meu quarto em desespero. Levei alguns minutos até ter coragem de ajoelhar, embora não houvesse mais do que 3 ou 4 fieis ali. Fiz de olhos fechados e pude sentir vagarosamente o ritmo dos meus pensamentos diminuírem. Aos poucos estava desconcentrado das coisas do exterior, das pessoas à minha volta e podia sentir meu corpo pesando sobre meus joelhos e cotovelos que se apoiavam sobre um livro aberto. Lentamente abri os olhos e vi um pequeno altar com uma arca dourada, flores roxas e vermelhas e um silêncio surpreendente. Fiquei leve, respirava calmamente, nem meus óculos me incomodavam mais. Fiquei naquela posição alguns minutos sem pensar, sem falar, sem pedir, sem resmungar, sem olhar para os lados, nem pra frente, embora os olhos abertos perfurassem a parede da igreja. Em paz, comecei então a orar, eu achava que sabia orar mas estava encontrando alguma dificuldade, pedindo isto, aquilo, depois chacoalhei a cabeça me desfazendo destes pedidos. Comecei a lamentar meus erros e fracassos e logo meu corpo começou a pesar sobre os joelhos novamente. Desmontei minha lista na cabeça e me pus a pensar no que Deus queria de mim. Em vão. Olhei para baixo, para o livro aberto no qual meus cotovelos se apoiavam. Levantei-me, sentei e vi que estava aberto no livro dos Salmos, no capítulo 42 que assim começava: 
"Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim por Ti, óh Deus, suspira a minh'alma..."
E terminava:
"Por que estás abatida óh minh'alma, por que te perturbas dentro em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei."

w.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Me devolva para mim


Queria ser mais egoísta
Ver menos os dois lados
Ninguém precisa mais de mim
Do que eu mesmo.

Queria dividir esse meu amor 
Comigo mesmo
Compartilhar o que eu tenho de melhor
Se é que tenho algo
Comigo, me vendo, me ouvindo, me lendo

Queria me amar como eu preciso ser amado
Amar menos os outros
Me devolva para mim mesmo
Dê-me o meu coração
Que é sempre assaltado nas noites

E no silêncio da madrugada
ele sai do meu peito
e caminha guiado pelo nada
até encontrar você

Volta de manhã
alimentado pelo teu sorriso
fortalecido pelo calor do teu peito
e se esquece de mim...
Só me resta um café
e um pão que sai do forno...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Visite-se de vez em quando


Resolvi fazer uma visita para uma pessoa, até por indicação de uma amiga que eu não conhecia, mas que já era minha amiga há muito tempo...
Ao chegar na casa dessa pessoa, não encontrei ninguém, apenas uma porta entreaberta, meio emperrada, mas com alguma persistência consegui abri-la e arrisquei entrar.
Vi uma antesala bagunçada, com o tapete central todo ondulado como se alguém houvesse escorregado e jogado com os pés para o canto. Uma xícara de café tombada e a manhca no chão parecia ser o líquido desta porcelana fina mas agora rachada com algum impacto.
Avancei e vi uma cozinha absolutamente revirada, havia restos de comida, caixas de papelão, algo típico de quem não tinha tempo para si, e tudo era sempre correndo.
Da cozinha pude ver em lado oposto, um dos quartos com uma cama toda bagunçada, parecia que suas roupas estavam lá há vários dias sem troca alguma. Vi bichos de pelúcia espalhados pelo chão do quarto, e alguns vidros de perfume quebrados nalguma prateleira. Havia uma luz acesa vinda do corredor. Corri com o coração disparando e vi um quadro no chão cuja moldura permanecia fixa ao prego junto à parede. No chão o quadro tinha uma inscrição e um nome: A inscrição dizia: "Lar feliz" mas tive dificuldade em ler o nome. Espalhei para os lados o pó sobre o vidro do quadro e pude identificar o nome: era o meu!!!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Os dois lados hoje


Como longos fios de cabelos que deslizam dos anjos
Castelos feitos de sorvet pelo ar
Vales repletos de penas em todo o lugar
Era assim que eu enxergava as nuvens...

Mas agora elas apenas bloqueiam o sol
Fazem chover e cair neve por todo o mundo
Ah eu teria feito tanta coisa
Mas pelo meu caminho encontrei muitas nuvens
E agora vejo dois lados dessas nuvens.

De cima... de baixo... e de alguma outra forma...
É das ilusões que elas criam que eu me recordo
Eu não entendo nada de nuvens.

Anos, meses, luas, rodas gigantes
Como se tudo estivesse dançando
E os contos de fadas vão ganhando vida
Eu via o amor desse jeito.

Mas hoje isso é apenas como um show
A apresentação termina
e você os deixa rindo ao ir embora
Sem que eles saibam...
Os aplausos e as conversas vão ficando...

Agora vejo os dois lados do amor 
O dar... o receber... e de alguma outra forma
É das ilusões que o amor cria que eu me recordo
Eu não entendo nada do amor.

Lágrimas e medos... um sentimento de orgulho
forte demais para eu dizer "Eu te amo", bem alto, bem claro
Sonhos, plateias lotadas, circos lotados, planos
Era assim que eu enxergava a vida.

Hoje observo velhos amigos agindo de maneira diferente
Meneiam a cabeça, dizem que eu mudei
Bem, pode ser...
Algo está perdido, mas algo também está ganho
Ao se viver o dia-a-dia

Agora vejo os dois lados da vida,
O ganhar... O perder... e de alguma outra forma
É do sabor do viver que eu me recordo
Eu não entendo nada da vida

Joni Mitchell
Judy Collins
1967

http://www.youtube.com/watch?v=tKQSlH-LLTQ&feature=share&list=PL75A0F5197636E3FE

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Ego


Alguém viu meu trabalho e em silêncio concluiu algo a respeito...
Ficou com uma vontade enorme de me elogiar
Pude ver em seus olhos mas não podia fazê-lo
Seu silêncio era o maior elogio que alguém poderia receber
Não evitei meu sorriso de satisfação
Nem dei ouvidos ao meu superego
Aquilo era eu, no mais puro e cristalino estado de minha'lma...

domingo, 2 de dezembro de 2012

Bom dia


Acordei com o desejo de dar bom dia...
Mas olhei à minha volta e não vi ninguém.
Peguei meus chinelos e disse a eles
Para cuidar bem dos meus pés
Não maltratar meus dedos.
Ao encaixar meu relógio no pulso
Pedi a ele que o tempo não pesasse em minhas mãos
Vesti uma camisa sem saber muito bem qual escolher
Mas tinha que ser leve e colorida.
A bermuda tinha que ter bolsos
Para carregar documentos,
E uma máquina fotográfica
Olhei para a janela do quarto
E o sol já invadia os cantos e frestas
expulsando qualquer tristeza
melancolia ou desânimo
E não respeitava quem ousasse impedi-lo de entrar
Afinal, quem pode lutar contra o sol, o belo sol?
Me levantei enfim, abri a janela e a porta
Me dirigi ao banheiro
E no primeiro contato com a água
Vislumbrei alguém no espelho
que me dizia "Bom dia!"
Eu não sorria mas ele sorria pra mim
Estava mais bonito que eu
um pouco descabelado mas
com olhos vivos e prontos
para ver o novo..

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

olhar fotografico voltado pra voce

Que Deus te abençoe considerando os desejos do seu coração, seus planos, os sonhos de agora e aqueles que nem lembra mais que existem em algum cantinho em você. 

Que consiga se sentir leve e cheio de paz, independente das circunstâncias, que goste cada dia mais de você, de viver, de se conhecer e de tratar de ser feliz, mesmo que seja feliz por nada!

Que o seu "olhar fotográfico" se volte um pouquinho pra vc e mire as belezas de ser quem você é! 

Aline kolbe

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

De uma amiga que lembrou do meu aniversario

A Idade de Ser Feliz

Existe somente uma idade para a gente ser feliz, 
somente uma época na vida de cada pessoa 
em que é possível sonhar e fazer planos 
e ter energia bastante para realizá-las 
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos. 

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente 
e desfrutar tudo com toda intensidade 
sem medo, nem culpa de sentir prazer. 

Fase dourada em que a gente pode criar 
e recriar a vida, 
a nossa própria imagem e semelhança 
e vestir-se com todas as cores 
e experimentar todos os sabores 
e entregar-se a todos os amores 
sem preconceito nem pudor. 

Tempo de entusiasmo e coragem 
em que todo o desafio é mais um convite à luta 
que a gente enfrenta com toda disposição 
de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, 
e quantas vezes for preciso. 

Essa idade tão fugaz na vida da gente 
chama-se PRESENTE 
e tem a duração do instante que passa

Luciliane Eurich

domingo, 25 de novembro de 2012

Comecei a ler um livro e em questão de dois capítulos já tinha colecionado algumas palavras que não conhecia.
Gosto de grafá-las e depois pesquisar seu significado no dicionário.

Entiotar - manusear tecido para fazer roupa, a melhor roupa; bem vestido
Debacle - desordem, ruína, desastre financeiro
Vidro Bizotê - vidro com corte chanfrado nas extremidades
Feérica - que pertence ao mundo das fadas
Píncaro - cume, pico, o máximo que alguém pode chegar
Arabesco - combinação de formas geométricas associadas à plantas
Farnel -  lanche, marmita
Pernóstico - petulante, pretencioso
Mordaz - ácido, agudo, áspero
Ciosa - zeloso, cuidador
Espicaçar - ferir com o bico, no sentido de estimular, provocar
Farfalhante - que produz som como o vento em folhas
Taifeiros - graduação militar antigo e superior a soldado
lívida - pálido, indefinido.

Aí imaginei o seguinte texto:

Numa noite fria e chuvosa, pela calçada molhada
Andava espicaçando o farfalhar de folhas caídas
observando arabescos nas casas
com janelas de vidro bizotê, por onde via
mulheres lívidas, entiotando e conversando
ou homens fumando  e comentando o debacle nacional
Ainda no chão mais ao lado,
crianças brincando feéricas
com um farnel ao lado,
A vó, ciosa, como sempre
trazia um chá para todos
com deliciosa torta de maçã
curtindo a foto do neto taifeiro ausente...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O Tempo

Minha vida insiste em fazer com que eu ande.
E andando, olhei para o alto e perguntei: "Afinal, o que é o tempo?"

Só ouvi o silêncio. Nenhuma resposta!

Há 46 anos faço esta pergunta e a cada caminho que me vem a frente para andar só escuto o silêncio.

Certo dia, parei, cruzei os braços e decidi continuar só depois de ouvir alguma resposta: O que é o tempo?
Para minha surpresa, ouvi um som atrás de mim, como o esmagar de umas sementes secas no chão.. Era uma senhora, muito idosa que caminhava lentamente com o auxílio de um andador.
Tossiu intencionalmente para que eu a percebesse e saísse de sua frente. Me postei de lado e a observei seus lentos e cuidadosos movimentos. Ela levantou uma mão meio que reprovando o fato de eu ficar ali parado atrapalhando seu caminho.
Em sentido contrário, de encontro, uma babá brancamente uniformizada, empurrava um carrinho de bebê muito bem equipado, falava ao celular e carregava a tiracolo uma sacola de lona que dizia:
"Para sempre é muito tempo, mas não tanto quanto foi ontem.."

(continua)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

sopa de garfo não dá

Quando algo de fato termina?

Há coisas que se perdem com o tempo
Outras que nunca acabam
Há as que levam muito tempo para terminar
E há as que insistem em ficar

Quanto mais creio ter o controle, mais perdido fico...
O que quero receber, se vai...
O que tento evitar, quando vejo, já está em minha sala
Sentado, olhando pra mim como que pedindo algo...

O que penso que seria o ideal pra mim,
logo deixo de lado considerando-o  impossível..
Quando recebo uma visita que tanto queria recebeer
Estou despreparado e sou pego de surpresa...

Quando me preparo enfim para receber
Alguém que espero há muito,
Eis que não vem, não aparece
Não dá recado e depois manda mensagem perguntando:
"Tudo bem?"


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

qual a montanha certa


Trilhei caminhos, atravessei rios, removi pedras, como bom mateiro abri clarões, venci obstáculos, recuei e desviei mas sempre segui adiante, subi, o tempo passou e cheguei finalmente ao topo da montanha sem jamais desistir ou deixar de confiar.

Olhei ao redor, e vi que tinha escalado a montanha errada...

sábado, 10 de novembro de 2012

Sem filas


Precisei de serviço público para renovação de minha carteira de motorista e me dirigi então a um lugar chamado "Poupatempo" do governo estadual.

Embora não tenha sido a primeira vez que pisei naquele lugar, me surpreendi com o rápido e bom atendimento que o cidadão recebe ali. Comigo não foi diferente.
Enquanto aguardava sentado em um banco desses de ripas de madeira, charmoso até, para ser atendido, olhava à minha frente um batalhão de atendentes, uns 15 naquele setor, todos uniformizados, com um lenço vermelho para as mulheres contrastando com o branco da camisa e o preto do vestido, com seu monitor e teclado postos à baia. 

Todas as mulheres absolutamente vaidosas, com acessórios pelo corpo desde colares e pulseiras até piercings discretos nas mais radicais. Mas todas belas. Pude observar apenas um homem numa baia. Havia muitos outros trabalhando numa correria por trás dos atendentes, pra lá e pra cá.

Fiquei imaginando qual chamaria minha senha para ser atendido. Se eu pudesse escolher qual seria? A mais bonita? A mais simpática? O homem? Fiquei prestando atenção para tentar descobrir qual seria. 

Havia uma com traços fortes no rosto, sobrancelhas feitas bem definidas e alinhadas, longos cabelos pretos, batom, olhos negros, grandes e muito redondos. Seu sorriso era fácil e marcante. Conversava com o cidadão atendido e com suas colegas dos dois lados praticamente ao mesmo tempo. Era a mais bonita de fato. 

Havia também uma mulher visivelmente cansada, parecia carregar em seu semblante muitas coisas para resolver. Pensando no filho que tem que buscar, ou que tem que passar na casa de sua mãe, talvez o filho já esteja lá esperando, ou seu corpo estivesse mesmo dando sinais de que era hora de descansar. Ainda assim sorria e tirava as dúvidas do senhor que estava sendo atendido. Era do tipo super mulher, certamente cuidava de tudo.

Mas talvez fosse atendido pelo homem, um senhor com certa idade, linhas na testa, olheiras e muito quieto, sequer olhava para o cidadão que era atendido. Talvez faça esse serviço já bons anos.

Vi uma outra atendente, de cabelos médios, loiros naturais, não tinha mais que 22 anos, com pelo menos umas 5 pulseiras barulhentas em cada braço, com unhas que pareciam mais impressas do que pintadas, tal era a perfeição do desenho nelas. Falava pelos cotovelos, batom cor-de-rosa, rímel, tatuagem de uma borboleta ao lado do pescoço e brincos de argola que batiam em suas saboneteiras. Olhava para tudo e para todos o tempo todo. Me flagrou olhando-a. Rapidamente o seu olhar passou por cima de mim como se estivesse procurando alguém mais atrás na minha direção. 

Ao seu lado, uma que mais parecia diretora de escola, daquelas bravas, de poucos amigos, muito responsável e de fala clara e objetiva, se esforçava para ficar bonita mas talvez precisasse de alguma orientação e parecia que tinha de fato poucas amigas ali no trabalho, ali não obteria ajuda ou ninguém arriscava dar palpite, dava pra entender. Poderia ser atendido por qualquer um, menos por ela, pensei. 

Um som forte, meio surdo, abafado e repetido, gritava de alguma parede insistentemente quando fui tocado nos ombros por um senhor que me disse: "Não é o seu número?"

domingo, 4 de novembro de 2012

por que escrevemos


Há de haver quem escreva um texto leve, atraente, que fale de coisas que interessam e de coisas que precisam ser escritas...
E o que precisa ser escrito? Tudo, absolutamente tudo!
Só assim quem lê, poderá desenvolver a habilidade de avaliar, medir, comparar, julgar e separar o que é bom do que não é bom, o útil do que não serve.
Só assim quem lê poderá desenvolver, ampliar, imaginar, criar, acompanhar um outro universo proposto por alguém e descobrir possibilidades viáveis ou não.
E não há idade certa para escrever...
E quando se deve ler? Sempre, assim como se deve escrever sempre, e talvez não seja um texto ruim ou inútil mas de outro tempo, um tempo que já será passado ou um tempo que ainda há de vir.
Como saber? Escrevendo!
Se não, o que os pequenos de hoje irão ler amanhã?

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

uma cerveja e uma história


Uma cerveja!! Era tudo o que eu queria pedir e tomar.
Então, depois de um dia com temperatura batendo na casa dos 41 graus, no início da noite resolvi atender meu pedido e saí em busca de uma breja, uma gelada, uma loira de colarinho baixo, e de tantos outros apelidos, para matar a minha sede.
Saí a pé em busca de um local simples, sem luxo, que cobrasse apenas o líquido sagrado na estação de calor.
Logo na primeira esquina me deparei com uma lanchonete, que ostentava modernidade, simbolizava o status da nova classe média. Mas uma placa na entrada logo informava: 15 reais para deixar a chave do carro com o manobrista, que com certeza iria parar o carro na rua mesmo, logo ali.. Resolvi continuar minha busca e segui a pé. Logo adiante, na próxima esquina, me deparei com um bar com uma verdadeira equipe de recepção formada por manobristas, uma bela recepcionista e um segurança.. Melhor caminhar mais um pouco... E logo encontrei uma pizzaria, numa esquina, em que havia um movimento frenético por parte de seus funcionários... Pude escutar um atendente ao telefone, aos berros, informando que o pedido levaria cerca de 1 hora ou até 1h20.. É, o calor dá uma fome...
Finalmente, cheguei a um bar, à moda antiga, com paredes de azulejos brancos, com algum ladrilho, não havia aquelas máquinas de fazer café modernas, na parede, aquelas bebidas destiladas de marcas estranhas e ao fundo um banheiro único... Não pude deixar de observar o baleiro secular que estava no final do balcão e atrás deste balcão, um senhor de idade mediana, com um pano de prato branco no ombro esquerdo que, de pronto, enquanto eu colocava o primeiro pé no bar, ele já foi logo me recebendo: "pois não patrão?"
"Uma cerveja... e alguma história pra contar..."